01 março 2012

Primeiros Passos

Excerto da minha crónica na Revista Eles e Elas-Julho 2009

Há um ano atrás na minha crónica deste mês ainda tinha a minha filha Joana na barriga...ainda não sabia como é que ela ia ser...

A Joana vai fazer agora um ano e começou a andar este fim de semana....o tempo passa a uma velocidade assustadora e temos que aproveitar tudo.

Todos os minutos da nossa vida de maneira especial, como é o momento em que um filho dá os primeiros passos.

Os primeiros passos da sua vida. Para correr atrás dos seus sonhos, porque a felicidade é uma viagem que começa desde pequenina.

Hoje em dia com todas as tecnologias á nossa disposição podemos gravar essas memorias, filmar passo a passo e fazer um verdadeiro arquivo da vida dos nossos filhos.

De vez em quando tenho momentos desses, que me apetecia reviver o filme da minha vida até agora.

Viajar até aos locais que são apenas meus e estar com as pessoas que marcaram o meu trajecto.

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Fundação Aragão Pinto-O meu Pai.

Excerto da minha crónica na Revista Eles E Elas-Junho 2009

Estar com as minhas filhas é a melhor coisa do mundo. Não há nada que me preencha mais. Não há nada que me faça mais feliz. Sinto-me completa quando estou com elas, protegida, realizada.

As conversas que tenho com a Mónica e com a Vera são do mais enriquecedoras, comoventes e engraçadas que há.

A visão da vida delas é das coisas mais extraordinárias que se pode ouvir e apreender. A Joana já diz mãe, já tem 4 dentes e já quase que anda.

Estas pequenas , grandes descobertas, é o melhor que a vida tem para nos dar.
Estar com os meus pais era a melhor coisa do mundo. Deles restam-me as recordações, as memórias, as lembranças, as fotografias, os valores, os princípios, a alegria de viver e principalmente... a saudade.

Fazem-me muita falta. Mas cada gesto, cada palavra, cada som, cada segundo, cada minuto que me faça lembrar deles, faz-me sentir bem.

O lançamento da Fundação Aragão Pinto foi um desses momentos e foi por isso que decidi reproduzir nesta crónica o texto que escrevi para a Fundação, as fotografias que partilhei, em homenagem ao meu Pai e que vem concretizar uma das suas grandes missões: Ajudar os jovens talentos do futebol.

A Fundação de Solidariedade Social Aragão Pinto tem como missão o promover a integração social de jovens e crianças carenciadas através da prática desportiva regular.

Esta Fundação foi criada para suprir uma falta que as crianças e jovens desfavorecidos têm, a pratica desportiva continuada e com valor formativo. 
A pratica desportiva é um veiculo de excelência para a integração e formação social. A maioria das instituições existentes lutam com grandes dificuldades diárias em prover abrigo, alimentação, educação e apoio às crianças que ajudam. Assim, a prática desportiva é muitas vezes, por falta de meios, algo ocasional e sem valor formativo.

O grande objectivo da Fundação Aragão Pinto é contribuir dando respostas adequadas através do desporto, às carecias e problemas sociais das crianças e que mais precisam, bem como, apoiar e promover a sua inclusão na Sociedade.

Para mais informações pode visitar o site www.fundacaoaragaopinto.com



Perto disto não podia escrever mais nada.E partilho-o com vocês:

O meu Pai.

O meu Pai é o José Eduardo Roquette de Aragão Pinto. Que orgulho que eu tenho de escrever isto. Nasceu a 11 de Setembro de 1948 na Quinta da Fajarda-Coruche, em casa à luz do petróleo.

Para mim o meu Pai era imortal, invencível. Perfeito.

Vou tentar resumir a vida do meu pai embora cada vez que começasse a escrever este texto isso me parecesse uma tarefa completamente impossível...há tanto para dizer....mas vou tentar.

Lembro-me do meu Pai me contar que passou por vários colégios, liceus, escolas e era expulso de todas...pela pessoa activa que era, por faltar para ir jogar futebol, por fazer rir a aula inteira e por achar que por menos que fizesse as coisas apareciam feitas...também teve a sorte dos meus avós intercederem sempre junto dos directores para lhes dar outra oportunidade, principalmente a minha avó, que “ mimava” o filho querido e não deixava que nada de mal lhe acontecesse, era a luz dos olhos dela.

O desporto era a sua grande paixão,e as suas fugas eram para o Centro Católico onde ia jogar ténis de mesa, modalidade da qual foi campeão vários anos consecutivos. Eu tenho as taças todas...

O Futebol era outra paixão, jogava com os amigos, em torneios, e sempre o melhor marcador...

O Sporting também lhe estava no sangue ,era sobrinho neto de José de Alvalade que fundou o Sporting Clube de Portugal, toda a família ajudou a construir esse sonho e a minha avó sempre me contou que até rifas vendeu para angariarem dinheiro para o estádio.

O meu Avô Henrique foi director do Jornal do Sporting, a família tinha dois camarotes vitalícios no Estádio José de Alvalade, já todos nasciam com o “carimbo”.Mas já lá vou a essa parte.

A família ia todos os anos passar férias em S. Martinho do Porto. Outra paixão.

Com 19 anos o meu pai conheceu a minha mãe, que na altura tinha 13...pediu-lhe em namoro várias vezes e ela nunca aceitou, iam-se encontrando mas a minha mãe não cedia.
O meu pai foi chamado para a Guerra do Ultramar e escreveu sempre à minha mãe. Eu tenho as cartas...Lembro-me do meu pai me contar que viveu situações muito complicadas durante a guerra, coisas pelas quais ninguém deve passar nem ninguém deve viver. Mas secalhar essa experiência transformou-o na pessoa que foi.

Quando chegou pediu a minha mãe em casamento e ela aceitou! E eu nasci!

De seguida nasceu a minha irmã Rita, que com 4 meses foi para o Céu. Tinha 4 anos e lembro-me de ver os meus pais completamente destroçados. Como se a vida tivesse acabado, mas também os vi com a coragem de seguirem em frente de me explicarem da melhor forma o que tinha acontecido à minha irmã Rita e de nunca deixarem de estar ao meu lado ou mostrarem-se tristes à minha frente apesar da desgraça que tinha acontecido e depois nasceu o meu irmão e um bebe traz alegria e esperança de vida a qualquer casa, qualquer família.

Outra das recordações que tenho de pequenina era um anúncio que dava várias vezes na televisão, não me lembro do produto mas era com um caçador que dava um tiro, e lembro-me que sempre que começava a música do anúncio, o meu pai vinha a correr estivesse em que parte estivesse da casa para quando fosse o tiro se atirar para o chão da sala e eu ria horas a fio...

Íamos para S. Martinho todos os anos, fazíamos muitos programas em família, e o meu pai vivia a vida em pleno. O Importante era ser feliz. E preocupava-se sempre com os outros. Tinha a grandiosidade de coração de querer espalhar a felicidade a todos os que amava e que eram especiais para ele. Lembro-me que a minha mãe é que impunha as regras, o meu pai era para brincar! Não nos conseguia dizer que não a nada. As maiores imagens que tenho é de fazer listas do que queria no Natal, e no dia de natal receber uma dessas coisas e não ser aquela que eu mais queria, não dizia nada, mas o meu pai percebia e não resistia, nessa tarde ia buscar-me esse presente, só para me ver sorrir. Feliz.

Pensava sempre num todo e o que ele mais gostava era comprar alguma coisa para todos, como a primeira câmara de filmar, o primeiro vídeo, a primeira aparelhagem, o primeiro telemóvel, etc. Coisas para todos usufruirmos em conjunto. Não havia sitio que fossemos onde o meu pai não levasse a câmara atrás. E é por isso que eu e o meu irmão temos registos únicos de pequeninos.

É engraçado que à medida que estou a escrever estas palavras, estou a ver a quantidade de parecenças que tenho com ele...

Todos os anos em S. Martinho ele ganhava os torneios de ténis, e eu filha orgulhosa via os jogos todos com muita atenção, gritava com a claque concorrente, enervava-me com os adversários dele, enfim....no final de cada torneio havia um baile de entrega de prémios, e o meu pai levava-me sempre ao colo para ir receber a taça, com todos a baterem palmas de pé e abríamos sempre os dois a pista de dança. Sentia-me uma princesa. Estava tão habituada a que o meu pai ganhasse que houve um jogo que ele perdeu, virei as costas e fui-me embora sem dizer nada a ninguém enquanto as lágrimas me escorriam de furiosa com ele, amuei e não consegui olhar para ele durante dois dias!...lembro-me se ser uma daquelas histórias que o meu pai contava várias vezes e me fazia questão de relembrar.

Todos os fins de semana íamos ao CIF vê-lo jogar futebol na sua equipa, o Cosmos, sempre o melhor em campo...

O meu pai era a alegria de qualquer sitio. O Carisma que tinha, fazia que bastasse entrar numa sala para que a “enchesse”.

Fazia-me rir como ninguém e era o meu melhor público. Riamo-nos com disparates que só nós é que achávamos graça e eu sentia-me toda orgulhosa quando os meus amigos estavam com o meu pai e diziam que ele era um espectáculo.

Fui com ele ver os 7-1 contra o Benfica e o meu pai estava eufórico! Levantava-me ao ar em cada golo e a seguir levou-me a jantar só com homens para comemorarem!

Até nos conselhos mais dramáticos era engraçado e houve um que me ficou sempre na cabeça, era quando eu tinha visitas de estudos ele dizia-me sempre:” se acontecer alguma coisa ao autocarro, a primeira coisa que fazes é partires o vidro da tua janela e fugires!”.

Os meus pais tinham uma relação fantástica e isso fazia com que a nossa casa fosse uma alegria.

Lembro-me de ver o meu pai muito triste quando o meu avô foi para o céu, mas passado pouco tempo foi convidado para ser vice presidente do Sporting das modalidades amadoras. Estávamos no carro quando ele nos contou a todos e no fim disse: ”o meu pai deve estar tão orgulhoso e a fazer uma festa lá em cima”.

Foram tempos extraordinários, em que íamos com o Sporting para todo o lado.
Uma vez levou-me a mim e ao meu irmão ao estádio e mostrou-nos todos os recantos. Entrámos como entram os jogadores e andámos a dar uns toques na bola no relvado, que sensação...nunca mais me vou esquecer.

Foi convidado para ir ao programa do David Borges na SIC e foi comentador da TSF no programa do Fernando Correia. Tenho as gravações todas guardadas...

Nenhum dos meus namorados era suficientemente bom para o meu pai, até ser simpático com eles , fazia-lhes a vida negra...passava-os por provações incríveis. Então se fossem do Benfica Nossa Senhora....

O meu irmão decidiu que queria deixar de estudar para ser jogador de futebol. O meu pai apoiou-o a 100%.Ia ver todos os treinos, todos os jogos, tirou várias cópias do jornal onde saiu a primeira noticia de um jogo do meu irmão em que ele fez a diferença, jogou no atlético, no casa pia e no Sporting. Um dia disse que não queria jogar mais...queria voltar a estudar...queria ter uma vida normal como os amigos, queria ter fins de semana, queria sair à noite. O meu Pai ficou dividido e lembro-me de termos tido os dois uma conversa com ele. Estava na idade de provar o que valia no futebol e se desistisse não havia volta a dar...mas ele estava decidido e nós apoiámos a decisão dele, embora tanto a mim como ao meu pai nos dava a sensação que lhe ia passar uma grande carreira ao lado, mas sem motivação não valia a pena.

O painel de Alcântara era o restaurante de eleição. Não dispensava o cozido, a feijoada ou as favas do painel. Jantar ou almoçar? Sempre no Painel de Alcântara.
Em S. Martinho aos Sábados o joelho de porco na Gaivota era imperdível, o bacalhau à Lagareiro na Serra, ou a Sapateira na Caravela.

Depois de uns tempos voltou ao Sporting, e passou por várias funções, director desportivo da equipa principal, director de segurança, director desportivo das camadas jovens e essa foi sem dúvida a que lhe deu mais gozo e mais motivação, lembro-me de ele contar com orgulho dos miúdos que lá chegavam e que o meu pai via o potencial que tinham e que acabavam por se tornar grandes jogadores. Depois veio mais um bebe, o projecto da Academia absorveu-o por completo, contava-nos todas as evoluções e quando nos levou lá a primeira vez e nos mostrou tudo era como se tivesse sido ele a construir a academia pedra por pedra.

Um vez fui convidada para participar num jogo de futebol na academia com outras caras conhecidas, o meu pai dividiu-se entre o perfeito anfitrião, o perfeito treinador e o perfeito pai.

O Sporting foi campeão ao fim de 18 anos e que festa!

A dobradinha em que estava grávida de 7 meses e estive na final da taça, no jogo em que o Benfica nos deu o campeonato e nos sagramos campeões estava em casa a ver e o meu pai ligou-me a dizer vou passar ai, vamos buscar o teu irmão e vamos para a câmara de Lisboa receber a equipa, com um barrigão lá fui eu fora da janela, feliz!!!!!

A abertura do novo estádio, outro “bebe” do meu pai que esteve envolvidíssimo desde o inicio ao fim de toda a organização. Não descansou enquanto a família toda não tivesse os bilhetes e esteve envolvido ao máximo para que fossem atribuídos lugares decentes no novo estádio a quem tivesse camarotes vitalícios no estádio antigo.

Recebi o emblema dos 25 anos de sócia do Sporting e fomos os dois recebe-lo, chamou os fotógrafos, apresentou-me a toda a gente, estava tão orgulhoso...

No meu primeiro Casamento o meu Pai estava feliz. Enquanto me levava ao altar ia contando piadas... Mais uma vez foi a alegria da festa e ofereceu-me o casamento dos meus sonhos. Não me recusou nada. Como sempre.

O nascimento das minhas duas primeiras filhas foram outros dois momentos em que vi o meu pai completamente babado, se sempre foi babado com os filhos, com elas então, tirava-lhes fotografias a torto e a direito, andava sempre com as fotografias delas no telemóvel e mostrava a toda a gente. Escusado será dizer que as fez sócias no dia que nasceram.

Os dias de jogos eram dias de stress para o meu pai, era quase como se organizasse excursões, preocupado que todos tivessem bilhetes, porque para ele era um dia de festa que ninguém podia perder.

Quando a minha mãe foi para o céu vi o meu pai como nunca tinha visto. Mais uma vez os conselhos que me deu nesse dia mesmo estando destroçado como estava ajudaram-me a conseguir-me manter de pé.

Quando Lhe disse que me ia divorciar, o meu pai disse-me: faz aquilo que o teu coração te disser, porque o importante é sermos felizes e se não estamos temos que mudar alguma coisa, agora lembra-te que o mais importante é continuarem amigos. Porque vão puder sempre contar um com o outro enquanto amigos mesmo que já não estejam casados. Segui esse conselho à risca.

O ciclo da vida é engraçado, porque a certa altura sentimos que os nossos pais precisam de nós como nós sempre precisamos deles e assim que eles são a nossa estrutura, a nossa base, numa certa altura nós tornamo-nos a base deles também.

Assim como sempre tive orgulho do meu meu pai, como sempre confiei nele como ninguém, como sempre falei nele como filha babada, comecei a sentir isso ao contrario, sentir que o meu pai se orgulhava de mim, da pessoa que me tinha tornado, da profissional que me tinha tornado, da mãe e da pessoa com a qual ele podia contar para tudo.

Confiava em mim para lhe guardar os documentos importantes, para o ajudar a tratar de assuntos, de o acompanhar para todo o lado. Tudo aquilo que ele antes fazia com a minha mãe.

Fomos ver o Sporting-Porto, cantámos o “Cheira bem cheira a Lisboa”, festejámos o golo aos abraços e gritos e fomos dormir para casa.

No dia seguinte o meu pai foi para o Céu. Fiquei fula com ele! Não me podia ter feito isso! Ele era imortal. Invenvivel. Perfeito! Como é que isso podia acontecer???

Sei que foi ter com a minha mãe, com a minha irmã Rita e com o meu Avô Henrique. E que lá em cima nos acompanha de minuto a minuto. E que continua a orgulhar-se e a tomar conta de nós.

Uns meses depois o Sporting teve a amabilidade de me convidar para apresentar a Gala do Sporting, sei que o meu Pai ia “vibrar” se o fizesse, mas ainda tinha as emoções à flor da pele e senti que não ia conseguir. Mas outra oportunidade se seguiu no ano seguinte, convidaram-me para ser embaixadora das mulheres com garra do Sporting, por causa do dia da mulher. O meu irmão esteve sempre comigo e senti que o meu Pai também esteve sempre lá.

Deve estar orgulhoso de eu me ter casado outra vez, com uma pessoa fantástica, muito parecida com ele por sinal, de ter tido a minha Joaninha que a primeira gracinha que sabe fazer é quando dizemos Sporting ela levanta os braços e que é sócia desde que nasceu. Das brilhantes alunas que são as netas e da alegria que são em todo o lado.
Do meu irmão ter tomado o lugar dele e nunca me ter deixado. De nos termos unido e de estarmos sempre de olho um no outro e de ele ter arranjado uma noiva fantástica com a qual se vai casar este ano.

Deve-se estar feliz com a ideia desta fundação e feliz com todos aqueles que por gostarem dele fazem questão de a apoiar. Ainda por cima no sentido daquilo que ele mais acreditava e mais prazer lhe deu, ver pequenos grandes talentos a terem a oportunidade de se tornarem grandes jogadores.

Obrigada Pai por ter sido quem foi. Por estas recordações. Por me ter ensinado que a vida é para viver intensamente como se cada dia fosse o último, é fazer aquilo que nos dá na cabeça se isso nos fizer feliz.

É não perder tempo com coisas insignificantes e que por mais desilusões e desgostos que a vida nos dê, temos que erguer a cabeça e continuar, aproveitando o que temos de bom. É fazer valer a nossa opinião mesmo que seja diferente dos outros.

É prendermo-nos aos nossos princípios e valores porque são a nossa maior riqueza e é o que fica de nós neste mundo.

Obrigada Pai, por tudo.






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Rir é o melhor remédio

Excerto da minha crónica na Revista Eles e Elas-Abril 2009

Rir por tudo e por nada.

Não há nada melhor que rir, rir de coisas parvas, rir de situações cómicas, rir de anedotas, rir de nós próprios, rir por rir.

E adoro quando ao longo da vida vamos encontrando pessoas que também são assim, por profissões mais duras que tenham, por desgostos e desilusões que já tenham passado continuam a rir, a gostarem de dizer palhaçadas e de se rirem sem parar das palhaçadas dos outros. O sentido de humor vale ouro.

É tão bom fechar a porta ao mundo lá fora, respirar fundo, abrir os braços e rir até não poder mais.

“Um dia sem rir é um dia desperdiçado” Charles Chaplin

As crianças riem por tudo e por nada. É maravilhoso quando na reunião de pais da Vera ou da Mónica para além de me dizerem que elas são óptimas alunas dizerem-me que são as mais alegres da aula, e isso é tão bom ouvir!

Eu sempre soltei gargalhadas estridentes sem qualquer problema e as minhas amigas chamavam-me a atenção, e eu nunca liguei nem ligo. Os adultos têm muitos medos e, muitas vezes, inconscientes.

O riso é a distância mais curta entre duas pessoas. Rir faz bem à saúde.

“O tempo que passas a rir é tempo que passas com os deuses”. Provérbio chinês

Lembro-me sempre do filme “Patch Adams” em que o protagonista usa o riso para ajudar os doentes de um hospital a passarem melhor os seus dias.

Um certo dia, recebo um telefonema do meu irmão a pedir para ir com ele a uma ouriversaria escolher o anel de noivado para a Maria porque a ia pedir em casamento. Ia caindo para o lado...

Fui com ele escolhi o anel, ele foi de viagem e lá lhe fez a surpresa e o pedido à antiga, pediu a mão aos pais dela.

O casamento vai ser este ano e não há nada que me deixe mais feliz, mas também nostálgica, gostava tanto que os meus pais e a minha irmã Rita estivessem cá a viver este momento, e sei o quanto o meu irmão ia gostar também...mas também sei que eles estão a acompanhar todos os nossos passos e a viver todas as nossas alegrias, e só de pensar que o meu mano mais novo se vai casar escorrem-me as lágrimas...

Hoje, dia em que estou a escrever esta crónica, eu e o Filipe vamos ao concerto dos Il Divo.

Há dois anos atrás fui a esse concerto com duas amigas e levei os meus avós como vos contei na crónica da altura. Foi o concerto que me tocou.

Chorei quase o concerto todo, e a seguir depois de muitas “negas” decidi ir falar com o Filipe porque durante aquele concerto alguma coisa me fez pensar que eu tinha que arriscar, que me podia estar a passar ao lado a felicidade de construir a vida ao lado de uma pessoa como ele.

E começámos a namorar nessa mesma noite a seguir ao concerto.

Esta música é dedicada a todas as mães e eu dedico-a à minha mãe e ao meu pai, porque mesmo tendo a letra escritada para uma mãe, aplica-se inteira a um pai também.



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29 fevereiro 2012

Make it Happen

 Excerto da minha crónica na Revista Eles Elas-Outubro 2008

Decidi começar esta crónica ao contrario no tempo. E porquê? Porque numa fotografia da minha recente viagem que o Filipe me tirou no aeroporto de Amsterdão, atrás de mim está uma placa que diz ”Make It Happen”, nem reparámos quando a fotografia foi tirada e quando a vi pensei...não há melhor frase para começar a minha crónica deste mês pois é uma frase em que acredito totalmente.

Está nas mãos de cada um de nós fazer acontecer, perseguir os nossos objectivos para concretizarmos os nossos projectos de vida e por falar em projectos de vida vou já voltar ao inicio do tempo desta crónica: O nascimento da minha filha Joana, que aconteceu uns dias depois da minha filha mais velha, a Mónica fazer 6 anos.

E é engraçado pois a Joana é a minha terceira filha e foi tão especial como se fosse a primeira ou a segunda.

É fruto de um novo amor que nos rejuvenesce, que nos dá força, que nos faz sonhar e que ao mesmo tempo que nos faz levitar também nos dá segurança e serenidade.

Em questões de amor não me posso queixar, do meu primeiro casamento ficou um melhor amigo e duas filhas maravilhosas e agora vivo um amor maduro, fruto das certezas dos 30 anos, e não falo das certezas do que quero porque é esse o motor da vida, o aparecimento diário de novos sonhos, novos objectivos, falo das certezas do que não quero.

E isso é muito importante, porque sinto que estou numa fase em que já eliminei muitas coisas com as quais não interessa perder tempo.

E deste amor nasceu a minha Joaninha, não sei dizer com quem é parecida, pois desde que nasceu já mudou muito e já teve fases em que a achei parecida com o Filipe e fases em que a achei parecida comigo e com as irmãs.

Agora olho para ela e não interessa com quem é que é parecida, ela é única e é ela. A Joana tem agora quase 3 meses e faz as delicias de todos cá de casa. Está sempre bem disposta e a rir e nunca a ouvimos chorar...só a refilar quando tem fome...

Está muito gordinha porque só come e dorme. A Mónica e a Vera estão sempre a olhar por ela e são uma óptima ajuda.

Uma semana depois da Joana nascer fomos para S.Martinho, as nossas primeiras férias todos juntos. Foi um verão especial, pude mostrar S. Martinho e todos os seus segredos ao Filipe, eram as primeiras férias da Joana e no fundo estar com as pessoas que mais amo no local mais especial para mim de todos.

O resto da família também lá estava toda de férias e aproveitaram para conhecer o novo membro da família. O meu irmão e a namorada, a Maria também foram lá passar uns dias a casa e ai sim estava tudo completo, porque sei que os meus pais também estavam lá connosco, orgulhosos e felizes por nós estarmos felizes também, pois se essa foi sempre a preocupação deles enquanto cá estiveram lá em cima não nos devem largar um segundo.

Voltámos e comecei logo a trabalhar, eventos, reuniões, a azáfama do costume da rentrée. Confesso que não foi fácil com uma filha de um mês, com o inicio das aulas das mais velhas conciliar tudo, mas lá fui conseguindo.

Tento dar um cunho pessoal a todos os meus trabalhos e isso às vezes é humanamente impossível, mas graças a Deus tenho contado com a ajuda de óptimos profissionais com os quais tenho trabalhado e que têm partilhado comigo os sucessos dos eventos. E é uma sensação tão boa, dar tudo por tudo profissionalmente e ver que as coisas correm bem e que sou reconhecida por isso.

Mas por mais ajudas e por mais que me ache a super mulher o cansaço acumulado começou a dar sinais e o Filipe fez-me uma surpresa ou melhor um ultimato, comprou dois bilhetes para Los Angeles e apareceu em casa a dizer: Faz as malas que o voo é amanhã...

Fiquei feliz, mas à medida que a hora de irmos para o aeroporto se aproximava, a minha angustia aumentava, despedimo-nos das gordas e fomos, quando entrei e me sentei no avião tive uma sensação estranhíssima, uma angustia, uma falta de ar, um ataque de nervos e cheguei a dizer ao Filipe que não conseguia ir, para sairmos do avião, o que vale é que não há pessoa mais calma que o Filipe e que com a sua maneira típica tranquila desdramatizou a situação.

Lá consegui descontrair e deixar de pensar angustiosamente nas minhas gordas e sim ter pensamentos agradáveis sabendo que elas iam ficar bem.

E apesar delas não me terem saído da cabeça um minuto, foi uma semana fantástica numa cidade mágica, que conhecemos duma ponta à outra. No regresso fizemos escala em Amsterdão e aproveitámos para ir visitar a cidade, linda...

Quando chegámos atirei-me para os braços das minhas filhas e tive um dia inteiro agarrada a elas antes de regressar ao trabalho.

Make it Happen!

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Que será será

Excerto da minha crónica da Revista Eles e Elas-Julho 2008

“When I was just a little girl
I asked my mother what will I be
Will I be pretty
Will I be rich
Here's what she said to me
When I was just a child in school
I asked my teacher what should I try
Should I paint pictures
Should I sing songs
This was her wise reply
When I grew up and fell in love
I asked my sweetheart what lies ahead
Will there be rainbows day after day
Here's what my sweetheart said
Que sera sera
Whatever will be will be
The future's not ours to see
Que sera sera
What will be, will be
Que sera sera...”Doris Day




Esta era a música que a minha mãe me cantava para eu adormecer, foi a música que eu cantei para as minhas filhas adormecerem e é a música que eu estou desejosa de cantar para a minha filha Joana adormecer...

Para além de ser uma música que me traz essas recordações, tem uma letra que ilustra bem as dúvidas que uma mulher tem nas diferentes fases da vida e é uma mensagem que gosto de passar não só às minhas filhas mas a todos aqueles que me pedirem conselhos...o que será, será...

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Confiança

Excerto da minha crónica da revista Eles E Elas-Maio 2008


« A journey of a thousand miles begins with a single step.» Provérbio Chinês
“Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.”
Fernando Pessoa

Decidi começar esta crónica com estas duas citações que são um misto daquilo que sinto muitas vezes enquanto profissional da minha área.

Dei comigo a pensar que mesmo trabalhando na área da comunicação há vários anos, há sempre situações, pessoas e empresas que ainda me conseguem surpreender. Adoro quando me sinto a trabalhar com pessoas que pensam e funcionam como eu, de igual para igual, a incompetência, e a falta de profissionalismo e de senso comum matam-me.

É maravilhoso trabalhar com pessoas que para além de já conhecerem o meu trabalho confiam nele a 100%, não questionam nem exigem nada, pedem-me o trabalho e deixam-me tudo nas mãos sabendo que no dia do evento eu lhes vou apresentar aquilo que prometi, independentemente de como o faça ou em que timing.

De vez em quando deparo-me com o oposto, pessoas e empresas que pedem, questionam, desconfiam, exigem, ameaçam, não entendem e parece que nunca trabalharam nesta área.
O desgaste psicológico que estes clientes exigem dá o triplo do trabalho e a gestão de mentalidades destas é muito complicada...fazê-los entender que é impossível apresentar uma lista final de convidados a um mês do evento e mesmo a uma semana.

E é preferível não apresentar nomes que não se tem a certeza se vão ou não estar presentes só por apresentar e para atrair a imprensa, a imprensa prefere ter a lista de convidados na véspera mas ser a real do que ter muito mais tempo antes e ser fictícia.

Vou continuar a reger-me pelos princípios com que sempre trabalhei mesmo que isso signifique entrar em alguns ”debates” com alguns clientes, porque sei que o resultado final é aquele com o qual me comprometi e que no fim o cliente vai ser o primeiro a reconhecer isso.

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Pessoas bem resolvidas

Excerto da minha crónica na Revista Eles E Elas-Abril 2008


“Não posso escolher como me sinto, mas posso escolher o que fazer a respeito" William Shakespeare

Nem toda a gente vive os 30 da mesma maneira. E às vezes tenho dificuldade de encontrar pessoas bem resolvidas com a vida. Porque acho que a partir dos 30 é isso mesmo, podemos ainda não saber o que realmente queremos, mas acho que sabemos bem o que não queremos mesmo!

Já pensei que podiam ser fases e que essas aconteciam em qualquer idade, temos fases mais sociais, outras menos, fases em que apetece-nos sair sem parar e outras que nos apetece estar no sossego do nosso lar.

Mas como eu e a maioria dos meus amigos estamos estou nos trinta decidi escrever sobre a minha realidade.

Em conversa com a minha amiga Rita Ferro entrámos numa de revivalismos e começámos a comparar este nosso ano com o ano passado.

Tem sido bem diferente. O ano passado saímos todas as noites, andávamos numa roda viva para conciliar trabalho, família e diversão e conseguíamos mesmo que para isso dormíssemos poucas horas por dia, foi um ano fantástico em que nos sentíamos bem connosco próprias, com os outros, com a nossa vida. Estávamos bem resolvidas.

E o engraçado é que este ano tem sido completamente diferente e tem sido tão bom ou melhor. Por isso o nosso bem estar e a nossa felicidade pode não ter a ver com as ditas fases mas sim com a maneira como nos sentimos connosco próprios.

E o que tenho constatado à minha volta e me tem feito uma certa confusão é que a maioria das pessoas se deixa influenciar por tudo o que os rodeia.

Mudam conforme as situações, conforme os locais e conforme os momentos e na minha opinião isso não ajuda a que uma pessoa tenha a cabeça resolvida e que se deixe levar, como se costuma dizer “go with the flow” e acho que essa é sem dúvida uma boa maneira de passarmos por esta vida.

As pessoas continuam a importar-se muito com a vida uns dos outros, a compararem-se uns com os outros, a invejarem, a meterem-se onde não são chamados, sem olharem primeiro para si mesmos. E isso é uma das maiores formas de hipocrisia, porque nunca se mostram na sua verdadeira essência.

A minha sugestão nesta crónica é que as pessoas se relaxem, não dêem tanta importância a pormenores insignificantes, que aconselhem as pessoas que as rodeiam sem se meterem e sem interferirem directamente na vida delas.

Quando aprendemos por nós próprios conseguimos tirar as melhores lições e conseguimos arrumar as coisas na nossa cabeça à nossa maneira e não há melhor maneira de pensar do que a nossa.

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