09 março 2012

Datas

Excerto da minha crónica na revista Eles e Elas-Março 2012

E começou um novo Ano.O Ano de 2012.
Um ano com 366 dias.
Mais um ano para amar muito, sorrir, brincar, chorar, errar, sonhar, cantar, gritar, partilhar, comer, estudar, arriscar, conquistar, namorar, acreditar, surpreender, comemorar. Mas acima de tudo para viver.

Hoje é dia da Mulher. Eu sou daquelas pessoas que dou importância a datas. Acho que tudo o que é especial tem direito a comemoração e que toda a gente se deve sentir especial seja pelo que fôr. Só não concordo é que só se dê importância nessas próprias datas! E aquelas datas que só servem para “obrigar” as pessoas a lembrarem-se, para nos imporem sentimentos, essas não concordo. Ou melhor não lhes dou a importância que a sociedade decidiu dar.

Uma das perguntas dos trabalhos de casa de estudo do meio da minha filha Vera ontem, era:Indica 10 coisas que só acontecem uma vez por ano.
E deu-me que pensar..Os aniversários, o Natal, a Páscoa, o dia do Pai, o dia da Mãe, o dia da criança, etc, etc.
Realmente vivemos estas datas uma vez por ano, festejamos e comemoramos estas datas uma vez por ano e o que comemoramos nós o resto dos dias?A vida!O amor!A Saude!
Mas estes não têm dias marcados no calendário, estas comemorações são nossas, vêem de dentro e cabe-nos a nós festejarmos seja de que maneira fôr, seja com um suspiro, com um sorriso ou com outra acção qualquer.
Hoje é dia da mulher, mas as mulheres não se podem vangloriar daquilo que são apenas hoje, não posso ser inundada de parabéns por ser mulher só hoje. Eu estou de parabéns todos os dias.

No dia do meu aniversário estou de parabéms porque comemoro mais um ano e vida, no Natal comemoramos o nascimento do menino Jesus.
Manifestações esfusiantes neste dia se depois no resto do dia não existem, não obrigada.

Queremos ser valorizadas enquanto mulheres todos os dias do ano. Hoje, dia 8 de Março é a data marcada para o lembrar para o resto do ano, não apenas no dia de hoje.
Estou longe de ser femininista. Concordo com a emancipação e independência das mulheres, mas também concordo que há coisas que devem continuar a ser os homens a fazer, não por serem o sexo forte, mas porque nós precisamos muitas vezes de sermos pegadas ao colo, assim como os pegamos ao colo a eles também.

Eu não quero que as minhas filhas só se sintam especiais no dia da criança. Eu não quero que o meu marido só se sinta um pai especial no dia do Pai.

Com tudo isto, o que quero dizer é que não devemos passar em branco as datas que estão marcadas no calendário, desde que não deixemos esses sentimentos de lado o resto do ano.

E por falar em datas, na altura do dia dos namorados, a minha amiga Ana Mota, decidiu participar num passatempo do seu cabeleireiro para ganhar um prémio. Tinha que fazer uma declaração de amor à sua cara metade, a declaração de amor mais votada, ganhava.
Ela ligou-me e pediu-me: ”Amiga, sabes que tens mais jeito para estas coisas que eu...escreves-me alguma coisa, como se fosse eu a escrever ao Daniel?”.
Claro que escrevo! E mandei-lhe, uma declaração como se fosse eu a escrevê-la para o meu marido.
E com este pequeno texto...
"Por tudo aquilo que já vivemos. Obrigada. Por tudo aquilo que vamos viver. Sim. Para sempre. A melhor sensação do mundo é encontrar alguém que compartilhe os mesmos sonhos e as mesmas vontades, ou que me ame o bastante para me aceitar mesmo com as minhas loucuras e os meus desejos malucos. Tu.”
A Ana ganhou o concurso do Studio glamour cabeleireiro!
E assim se espalhou amor.

Este ano decidi empenhar-me nas mascaras de carnaval das minhas filhas. Lá está, não ligo ao Carnaval, não gosto, não acho piada. Mas quando se tem filhos não há como contornar esta data e resta-nos rendermo-nos e lembrarmo-nos de como gostávamos do Carnaval em crianças. Entrar no mundo da fantasia e tirar o melhor partido dele.
A Mónica foi de Enfermeira, a Vera de “Dondoca” e a Joana de Cleopatra.
Quando as fui buscar ao colégio nesse dia, as professoras juntaram-se para me dar os parabéns. Disseram que elas estavam lindas e que se percebeu que a mãe teve cuidado e trabalho, que deu atenção.

E sim foi isso que eu fiz, e foi isso que as fez feliz e que me preencheu. Foi ter-lhes dado o meu tempo, ter-lhes dado atenção, ter ouvido as suas vontades, sugestões. Ter dado importância ao Carnaval por elas, deixando completamente de parte aquilo que eu penso. E verdade seja dita elas estavam LINDAS!!!
Homenagear alguém ou enviar um carinho por determinada data numa representação muito especial da sua vida, encontrando sempre o que o nosso coração procura. Isso é o mais importante.

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01 março 2012

Universo

Excerto da minha crónica na revista Eles e Elas-Natal 2011

Este ano decidi viver o espírito de Natal na sua plenitude. Decidi não pensar em nada naquilo que embirro no Natal, naquilo que condeno que outros transformem o natal, na confusão e stress em que as pessoas ficam.

Decidi viver só o bom do Natal. Decidi viver o natal como vivem as crianças, como eu já o vivi em criança, como vivem as minhas filhas, como vive a minha avó, feliz de se reunir com toda a família, de ter filhos, netos e bisnetos ao seu redor.
Viver como vivia a minha mãe, que parecia que sabia que se ia despedir cedo de todos nós e sempre o viveu com a maior intensidade e dedicação. Tudo o resto paráva nesta época e era tão bom sentir isso. A organização, a decoração tudo ao pormenor. E este ano estou a fazer isso.

Decidi empenhar-me a fazer a árvore de natal mais bonita de todos os tempos. Decidi decorar todos os recantos da casa, decidi decorar as escadas, decidi decorar o alpendre e o jardim. E decidi reunir a família cá em casa. Pôr todos os cd’s que tenho de “best of Natal” a tocar sem parar. Recebê-los e estar com eles em minha casa como eu tanto gosto.

Já fazia com todos os aniversários, em que faço questão, que por mais festas paralelas que existam, que haja sempre uma celebração de cada um de nós os 5 cá em casa, com toda a família. Faço questão de organizar tudo com muito carinho, para mais tarde recordar.

O Natal na nossa família infelizmente vai contando sempre com menos gente, mas não vou deixar que isso seja motivo de tristeza, porque sei que todos os nossos anjinhos estão no céu a celebrar o natal no seu melhor.

A minha Avó Belinha que se foi embora em Outubro também adorava o natal e também fazia a ceia e decorava a casa sem deixar nada ao pormenor, também ia com orgulho e com a família em peso à missa do galo na igreja de São Roque.
Não posso deixar que estas tradições e estes valores se percam! Se com tanto carinho me foram passados pela minha família, pelos que estão cá comigo e pelos que estão no céu.

Confesso que o natal começou a stressar o meu pai a partir de certa altura, mas foi a partir da mesma altura em que o meu pai stressava com tudo e essa altura coincidiu a partir do momento em que se distanciou da minha mãe, mas ai era o Universo a enfurecer-se,..

O Natal é a família e não cada um para seu lado. E o meu Pai para se defender de ter que andar de um lado para o outro, deixou de gostar do Natal. Mas eu sentia que mesmo com toda a confusão envolvida, os poucos minutos que poderíamos passar com ele nessa quadra significavam tudo para ele. Revivia os natais em que tudo batia certo, em que eramos todos uma só família, uma só casa. O Universo descansava nesses minutos e sorria.

E eu sinto que no Natal o universo conspira a nosso favor.
O universo está em eterno movimento em busca de equilíbrio. Cada acção desequilibra essa estrutura que imediatamente entra em processo de busca do equilíbrio.
Conforme agimos convocamos o universo a conspirar a nosso favor. Basta agir. Sem pressa, e também sem pausas. Não podemos desistir dos nossos sonhos, planos e vontades.

O que não tocamos, mas sentimos, faz a diferença nas nossas vidas, afinal, o essencial é inantigível.

Muitas vezes sinto a força da vibração do Universo a mostrar e a dar sinais do caminho que preciso. Nada é coincidência.

Quando acontece, estamos frente a uma grande conspiração do Universo. Trata-se de um SINAL. Alguma coisa esta atrás deste acontecimento.
Precisamos, sim, de entender o significado e aprendermos a ler o que não foi escrito. Descodificar o sinal é a chave para termos uma vida melhor.
A essência da vida é entender como vivê-la.

Ao longo da minha vida, tenho lido muitos dos acontecimentos como sinais ou como recados do Universo. Claro que atribuo na maioria das vezes a acções dos meus anjinhos lá de cima, que me protegem e que se fazem sentir presentes tantas vezes...outros acontecimentos, quando ainda tinha os meus anjinhos ao pé de mim vejo claramente como o Universo zangado. Mas sobre isto fica para uma outra crónica...

Mas uma coisa posso afirmar, fizemos duas viagens em que o Universo conspirou, sorriu e descansou.Com a ajuda dos nossos anjinhos, claro!
Fomos à Madeira, primeira viagem de avião que eu e o meu irmão fizemos com os meus pais há muitos anos atrás...e fomos a Miami, sei que fizeram tudo para que eu voltasse àquele que tinha considerado dos melhores destinos para ir e lá voltei a Miami e desta vez com o meu irmão, com o meu marido e com a minha cunhada. Na Madeira também estivemos os quatro mas levámos o meu sobrinho!

Estou a fazer os albums das duas viagens, como faço de todas e de tudo e mais alguma coisa, e sinto sempre nostalgia de estar a fazê-los e não os poder mostrar ao meu Pai e à minha Mãe, que era aquilo que eu mais gostava...mas antigamente eles não podiam estar connosco em todo o lado e por isso tinha de lhes mostrar as fotos e contar como foi... agora não preciso porque eles também lá estiveram connosco, não foi?
Mas voltando ao Natal...Natal não é pensar, mas sim sentir. Melhor do que todos os presentes por baixo da árvore de natal é a presença de uma família feliz. Não existe o Natal ideal, só o Natal que nós decidimos criar como reflexo dos nossos valores, desejos, queridos e tradições.

Ainda que se percam outras coisas ao longo dos anos, temos que manter o Natal como algo brilhante.…. Regressando à nossa fé infantil.Com Natal vêm as recordações e os costumes. E são a essas recordações a que todas as mães se agarram.
Temos que ser nós mesmos a fazer o Natal acontecer, empregando as maiores ferramentas do ser humano em desuso – AMOR E PAZ.

Se o presente está em desarmonia, temos que o harmonizar, fazer isso com o nosso pensamento, a nossa coragem, a coragem de dizer que acreditamos em nós mesmos, e que amanhã será melhor que hoje.
A mesma PAZ que mora com os anjos e que ronda as nossas energias.
Esse estado pleno de que fazemos a coisa certa.
Ousando ser feliz encontrando essa PAZ,

O meu desejo acima de tudo e voltando ao Universo e suas conspirações é que por mais que os casais se separem, por mais imcompatibilidades que surjam, nunca se esqueçam dos filhos, aqueles filhos que num momento da vossa vida fizeram todo o sentido e foram frutos do vosso amor.

Cada vez que vejo um filho infeliz por causa de pais separados não se entenderem e esse filho ficar prejudicado e triste por causa disso corta-me o coração. Dá-me vontade de chorar...o Universo com a ajuda de jesus e dos anjos envia os filhos para os pais como uma bênção, um presente. E deve enfurecer-se bastante cada vez que vê esses laços destruídos.

Eu tenho a sorte, pois também aconteceu o meu primeiro casamento não dar certo, de ter um ex marido que se rege pelos mesmos valores e princípios que eu, de ter a sorte do meu actual marido se reger pelos mesmos valores e princípios do que eu. E as minhas filhas, elas principalmente, têm a sorte de ter dois pais maravilhosos. E não há maior ternura de ver as 3 com o Ruca ou as 3 com o Filipe. E ai de alguém que diga que alguma delas não é deles, ai de alguém que as separe de um ou de outro.
E o meu desejo para as famílias, para as famílias “novas”, desta sociedade actual é que se unam, que se esqueçam de discórdias antigas e que ajudem o Universo a fazer o seu trabalho, que façam o Universo tranquilizar-se ao verem pais e filhos juntos. E não só no Natal, mas sempre.

E por falar em filhas tenho que falar das festas de Natal que são o acontecimento para as crianças. Os ensaios, as músicas e as roupas, enfim são épocas em que se sentem as estrelas.

A Mónica e a Vera já habituadas a estas andanças, adoram e tanto uma como a outra nasceram para o palco. Nesta altura querem mais do que tudo ter uma boa prestação, que os professores e a família se orgulhem delas. E para elas independentemente do seu papel são as protagonistas, são as principais e o resto é conversa.

Para a Joana foi a sua primeira festa de Natal. Começou a semana de ensaios por primeiro comunicar à professora que: Carla, não vou falar ao microfone, vou chorar o tempo todo, não quero ficar no palco e quero ficar sempre no colo da mãe. Depois chegou a casa e comunicou-me o mesmo a mim...

Os dias iam passando e ela ia cantando as músicas que iam ensaiando na escola. Começou a dizer que afinal podia participar, falar ao microfone é que não. Viu a festa da Mónica, adorou, viu a festa da Vera adorou. Deram-lhe força e segurança para no dia da festa dela, depois de choramingar um bocadinho porque queria o meu colo e depois de eu lhe dar um brinquedo para ela me guardar lugar para a ver, dando-lhe assim a garantia que iria sem qualquer dúvida, de lá se ir juntar aos colegas.

Nós sentámo-nos, e quando o pano abriu, ela por segundos esqueceu o seu lugar, esqueceu a letra, esqueceu as indicações das professoras, esqueceu-se dos colegas, ou dos “mil” pais que estavam a assistir, a grande preocupaçãoo dela era encontrarmo-nos, o mundo dela parou até nos ver. Quando nos viu descansou. Ia fazendo o ensaiado mas sem nunca por um segundo sequer tirar os olhos de nós. Mesmo que por vezes isso significasse entortar o pescoço todo. Não nos queria perder de vista, e nós não a queríamos perder de vista a ela.. o meu bebe...já com 3 anos...no palco, na festa da escola, a fazer o teatro que tinham ensaiado. Chorei do principio ao fim, como é normal, o que fez com que todos os filmes e fotos ficassem tremidos, mas o que é que isso interessa face aquele momento único que já ninguém nos tira.

Nesta passagem de ano vou desejar que em 2012 parem e pensem na vida que querem realmente ter. Escolham as pessoas que vos acompanharão este ano! Aquelas que vos dão apoio em todos os momentos. Escolham as que querem
ao vosso lado e as que querem estar ao vosso lado.Descubram o que vos dá prazer.

Insistam e não desistam.Pensem positivo. Começem. Agora.

Mãe, Pai, Rita, Avó e todos os meus anjinhos, como têm visto tenho preparado o Natal ao pormenor.Sei que vamos estar todos juntos e vocês também cá vão estar.Á vossa maneira.Fazem-me falta sempre.

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Avó Belinha

Excerto da minha crónica na revista Eles e Elas-Outubro 2011

“Aqueles que passam por nós,
Não vão sós, não nos deixam sós.
Deixam um pouco de si,
Levam um pouco de nós.”
Antoine de Saint-Exupery

Esta minha crónica vai ser em homenagem à minha avó Belinha.

Gostava muito de conversar com ela. Não me escondia nada, era directa e dizia aquilo que tinha para dizer.Com clareza, sem rodeios. Eu também sou assim por isso entendiamo-nos bem. Tinha um humor próprio e riamo-nos muito uma com a outra.

Preocupávamo-nos uma com a outra e sabíamos que por mais que andemos na vida a correr, é sempre uma prioridade dar valor ao que realmente é importante. Gestos, palavras, carinhos, olhares, tudo servia para que soubéssemos que estava tudo bem.

A minha avó era especial, era uma mulher com M grande. Via futebol como um homem, refilava e discutia como um homem. Não se deixava ficar como um homem. E para mim sempre foi um exemplo. Não precisamos de ser homens para nos fazermos ouvir, podemos ser sim grandes mulheres.

A família era tudo para ela. Os filhos eram tudo para ela, os netos e os bisnetos. Dizia que tinha uma família em que eram todos bonitos, pedia desculpa por ser tão vaidosa, mas a verdade tinha que ser dita e ela não se importava com a falta de modéstia, somos bonitos e pronto.

Gostava de analisar-nos desde bebes, e ia-nos contando as nossas características, uns que nasceram feios e ficaram lindos, outros que nasceram logo lindos. Uns que choravam muito, outros que riam muito.

O Filipe que tinha nascido com a cabeça em bico, o Pedro que tinha nascido feio mas que ficou bonito e o Ricardo que era muito bem educado.

Não tinha vergonha de admitir quem eram os filhos preferidos, netos ou bisnetos preferidos, mas fazia sempre a ressalva do que cada um de nós tinha de bom.

Gostava de ser mimada, gostava que nos lembrássemos dela, gostava que falássemos dela aos nosso filhos, gostava que lhe ligássemos e principalmente gostava de conversar, de ouvir e de falar. De contar as histórias da nossa família com a sua maneira característica.

Era uma avó vaidosa, que gostava de se sentir bonita, e que nós sempre nos orgulhávamos. Era um orgulho quando me diziam, a tua avó é linda! Tem os olhos mais bonitos do mundo!

No colégio, tivemos que dividir a nossa avó com todos os outros meninos, que a adoptaram por avó também. Todos a chamavam avó Belinha. Confesso que senti ciúmes algumas vezes de ter que a dividir, mas na maioria do tempo, ficava completamente deliciada ao ver o carinho com que todos a tratavam, o amor que todos tinham por ela. E ainda hoje me perguntam pela avó do colégio.

Adorava quando conseguia ficar ao lado dela no camarote do Sporting. Era sinónimo de emoção acrescida! Iamos comentando o jogo do Sporting e ao mesmo tempo ela ia-me dando novidades dos restantes jogos que ia ouvindo na sua telefonia.

S. Martinho era o local onde todos nos encontrávamos. E eram os tempos sem tempo para estarmos com ela. Sem pressas. Para passearmos pelo paredão, conversarmos na rua dos cafés.
Terra onde todos a conhecem, onde todos a adoram. É engraçado que cada ano em que chego, não há uma única pessoa, novos e velhos que não me pergunte: A tua avó está cá? Gostava de lhe dar um beijinho!

Recordo-me dos torneios de ténis que o meu Pai entrava e lá estava a minha avó na primeira fila. Era como ver um jogo do Sporting, mas em vez de gritar Sporting gritava Zé!!!Pensando bem acho que saí mesmo a ela na forma de ver o futebol e de torcer por quem gosto seja no que fôr. Sofremos à séria! Emocionamo-nos profundamente.
E também eu ficava ao lado dela a torcer pelo meu pai e a mandar bocas aos adversários e suas claques. Deixávamos de ser mulheres para sermos leoas, defendendo ferozmente os “nossos”.

O chocolate quente no Natal, o bacalhau com natas, as favas, a massa encarnada, a tarte de amêndoa, o bolo delicioso, têm e vão ter para sempre o sabor dela.
Telefonava-me sempre que algo que eu fazia ou dizia a fazia ficar orgulhosa. Dizia que gostava da minha forma de dizer as coisas, gostava das piadas minhas que saiam na imprensa e dizia-me: ”Só a menina para se lembrar destas coisas!”. E era tão bom ouvi-la rir...

A carrinha verde dela também me vai ficar na memória para sempre. Fazia a recolha de todos os primos pelos colégios e lá íamos nós tipo sardinha em lata todos a falar ao mesmo tempo, mas nunca a ouvi dizer nada...e só quando precisava de ajuda para estacionar o carro é que nos pedia concentração, mas o meu “ALTO!” vinha sempre tarde e depois do primeiro toque... Acho que ficou a frase oficial das vindas do colégio: ”Pode, pode, pode...PUM!...ALTO!”.

Há 5 anos atrás a vida dela parou. Paralelamente ao meu desgosto vi a tristeza a apoderar-se dela. Foi quando o meu Pai se foi embora. Ela quis ir também.
Sempre que falávamos uma com a outra, falávamos do meu Pai e eu tentava com palavras atenuar o seu sofrimento, tentando que atenuassem o meu também. Tentava que a minha visão das coisas, aquilo que me ia permitindo viver os meus dias, a ajudasse a ela também, mas sentia que a acalmava mas só por breves momentos.

Quando estava comigo, com o meu irmão e com os nossos filhos ficava feliz por estarmos todos juntos, mas dizia sempre que sentia uma grande dor pelo meu Pai não estar a viver aqueles momentos connosco. E eu, que sinto essa dor todos os dias, minutos, segundos, controlava-me para não me ir abaixo à sua frente.

A Avó Belinha nunca mais foi a mesma. S.Martinho deixou de fazer sentido. Sentia que ela gostava de ir para lá, mas doía-lhe demais porque se lembrava muito do meu Pai.
E foi-se deixando ir. Tinha momentos melhores outros piores, mas desistiu. A vida sem o seu filho já não valia a pena. E doía muito ver a minha avó naquele sofrimento sem poder fazer nada.

As últimas conversas era sempre em jeito de despedida e eu não conseguia lidar com isso.

Pedia ao meu marido para me tratar sempre bem, mas dizia para eu o tratar bem também! Pedia-me para falar sempre dela às nossas princesas. Pedia-me para nos permanecermos unidos e que a família era a melhor coisa do mundo.

Que ela se ia embora, mas com a sensação de dever cumprido. Que viveu, foi feliz e criou uma família maravilhosa, com todos bonitos ainda por cima!

Que estava feliz com o meu casamento e com o do meu irmão. Que tínhamos encontrado pessoas extraordinárias. Que estava feliz por a Mónica e a Vera serem meninas lindas e pela Joana e pelo Zé Eduardo terem vindo completar ainda mais a família. Sentia que se tinha fechado um ciclo. A minha mãe e o meu Pai foram embora, mas ela ainda cá ficou para testemunhar o marido e a mulher fantásticos que arranjámos e nascimento dos filhos com os nomes deles, Joana e José Eduardo.

Agora podia ir em paz porque sabia que ficávamos bem. Agora podia e queria muito ir ter com o seu filho.

E foi. Precisamente 5 anos depois. Por alguma razão o meu Pai só a veio buscar agora. E por alguma razão veio no mesmo dia em que também ele nos deixou.

E que feliz que a Avó deve estar agora. Estão todos juntos lá em cima e nós prometemos que vamos ficar todos juntos e unidos cá em baixo.

Vamos continuar a dar valor aquilo que nos une. Vamos continuar a honrar a nossa família e a fazer mais filhos lindos.

Lá em cima a gritaria pelo Sporting deve ter sido tanta que marcámos 6 golos no primeiro jogo! Continuem a torcer ai em cima que nós vamos continuar a torcer cá em baixo!

Olhem por nós. Tomem conta de nós. Nós vamos continuar a lembrarmo-nos com a certeza que temos os melhores anjinhos de todos!

Vamos continuar agarrados às maravilhosas recordações que temos até nos encontrarmos novamente.
Até já Avó Belinha.

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S. Martinho do Porto

Excerto da minha crónica na revista Eles e Elas-Setembro 2011

S. Martinho do Porto
São Martinho do Porto é uma freguesia portuguesa do concelho de Alcobaça situada na margem da baia de São Martinho frente a Salir do Porto, com 15,01 km² de área e 2 644 habitantes (2001). Densidade: 176,1 hab/km².

Foi vila e sede de concelho até 1855. Era constituído inicialmente apenas pela freguesia da sede e tinha, em 1801, 932 habitantes. Em 1839 foram-lhe anexadas as freguesias de Alfeizerão, Salir do Porto e Serra do Bouro. Tinha, em 1849, 3 596 habitantes.

A Baía de São Martinho do Porto é um acidente geográfico que, pela sua forma, em concha perfeita, é único no país e na Europa.

Situada a 19 quilómetros de Alcobaça, a Baía de S. Martinho do Porto é o último vestígio do antigo golfo que se estendia até Alfeizerão até ao século XVI.

A antiga Lagoa de Alfeizerão seria navegável desde o mar em S. Martinho até Tornada, tendo existido um porto de mar em Alfeizerão.
Hoje resta a concha de S. Martinho do Porto, uma bacia marítima de forma elíptica, com águas calmas e arvoredo envolvente, constituindo um porto natural de paisagem única. Possui 3 quilómetros de areal e uma barra com 250 metros de abertura, entre os Morros de Santana a sul e do Farol a norte.

A povoação de S. Martinho do Porto desenvolve-se em anfiteatro desde a Capela de Sto. António até ao Cais e à praia, seguindo pela Avenida marginal até às dunas de Salir. Foi fundada pelos monges do Mosteiro de Alcobaça, no século XIII.

Até finais do século passado São Martinho do Porto foi um dos principais portos do País mas, com o aparecimento dos navios a vapor, perdeu gradualmente a sua importância, sendo hoje porto de recreio e de apanha submarina de algas.
Nesta Baía desagua o rio Tornada, obrigando a cuidados especiais contra o assoreamento e a poluição.

Do alto dos miradouros do facho e do Cruzeiro ou da Capela de Sto. António, pode observar-se a beleza da paisagem.
Lenda do Lago:
N'aquela tarde calma. Fora a pesca abundante,
Sant’António do seu nicho, assiste vigilante
À faina. Os pescadores largam já d’amarra
E, como o mar manso,lá vão de proa à barra
Alegremente em fila, o porto demandando.
O leme vai na orça, velozes vão passando
Na linha da “ carreira “. Em frente da capela;
O Santo vai contando, um por um, vela por vela.

O sol é posto já. Traiçoeiro a refrescar
O vento aflige o Santo e atormenta o mar.
Toldou-se o céu também, logo a terra escureceu
E no regaço o Santo Jesus adormeceu.
Já nas ondas envergam os novelos d’espuma
Mas, na conta das velas, inda falta uma!
Nos lábios d’António, trémulos d’amargura
Alguma praga ao mar, entre as preces se mistura.

Um ponto branco, ao sul, lá longe entre a procela,
Traz rumo aproado, à alvura da capela.
O bom do Santo ao ver, esse asa de gaivota
Que, tão audaz procura. A linha da derrota,
Empalidece, e treme, temendo-lhe o destino.
Não se atreve porém a acordar o seu Menino.
E murmura: “Jesus, Senhor! A vaga é tão alta”
“E aquela vela é, a mais pequena que me falta”

Enquanto Dura a luta, entre o mar e a vela
António nota já, não ser deserta a capela.
Uma pobre mulher, nos degraus ajoelhada
Cinge contra o seio, uma cabecita dourada;
No seu ardente olhar e nos olhos da criança,
O ponto branco brilha, como um farol d’esperança
E o pescador afoito, aproa sempre a vela
Ao vulto da mulher, à brancura da capela

O mar redobra a fúria, é um leão rugindo
E tranquilo Jesus, no regaço vai dormindo;
Mas avistando o pano, roto já p’la rajada
A cabecita d’ouro exclama apavorada:
“Ó mãe? Ó minha mãe?”
“É o meu pai, quelá vem?!
”N’isto; o Menino acorda e mui mal humorado,
O aio santo increpa, de sobrolho carregado;
“O que foi isto António?” – “Quem foi que se atreveu?
”O Santo aponta a medo, a vela, o mar, o céu.

Nos olhos da mulher, onde a vela é agravada
Uma lágrima... Uma pérola pendurada.
Desvairado ao vê-la, implora Sant’António:
“Senhor... fazei bonança... O mar é um demónio... “
Jesus serenamente, do nicho então desceu,
Com uma mãozita em concha, a pérola colheu,
O seu rosado braço, enérgico balança
E às ondas infernais, a humilde jóia lança.

Depois... sorriu ao Santo com divino afago
E no mar, defronte da capela, fez-se um “lago” .

Um Pescador
(o autor destes versos é desconhecido, sendo atribuído a um pescador da época)

A LENDA DE S. MARTINHO

Martinho era um soldado romano, valente e valioso, que regressava de Itália para a sua terra, em França.

Na viagem, cruzou-se com um mendigo que tremia de frio, devido à chuva que caía com intensidade. Sentindo piedade daquela alma que lhe pedia esmola, Martinho não hesitou em partilhar a sua capa militar.Pegou na espada e cortou a capa ao meio.
Quando se preparava para seguir viagem, a chuva parou de cair, as nuvens fugiram e o sol começou a brilhar. Assim ficou o tempo durante três dias. Diz-se que foi recompensa divina.
A tradição mantém-se e por isso se fala do Verão de São Martinho, para lembrar que as boas acções não se devem esquecer.

Acabaram as férias de Verão e eu decidi dedicar esta minha crónica a este lugar especial na terra. Pelo menos para mim.
Às vezes dou por mim a tentar explicar às pessoas o porquê de eu sentir esta terra como minha, e penso sempre, qualquer dia escrevo um livro sobre S. Martinho, não vou escrever um livro, mas uma crónica, acho que é um bom começo.
“S. Martinho é um lugar que temos no coração, praia , férias e o mar, são os jogos de Verão.”

Este era o refrão do hino dos Jogos de Verão, cantando pela Nucha e por todos nós, Verão após Verão em S. Martinho.

Há coisas que não se explicam, mas o sentimento que me invade cada vez que chego a S. Martinho é de uma paz sem igual. Sinto-me em casa, sinto-me bem, segura.
Muitas vezes dou por mim a vaguear por ali, a observar a paisagem, a rua, as pessoas, a sentir o cheiro de S. Martinho. Muitas vezes durante o ano, sinto um espécie de “chamamento” para ir lá e lá vou eu, convenço a família a vir comigo e lá vamos nós dar um passeio, e isso muitas vezes chega para recarregar baterias, para que o mundo pareça cor de rosa outra vez.

Sei que imponho ao meu marido e às minhas filhas todos os anos que as férias em família sejam lá. Sei que as minhas filhas já ganharam o “bichinho”, não porque as obriguem a nada, mas porque já elas próprias ganharam essa paixão.

Sei que elas lá se sentem livres, se sentem donas do mundo. Sentem-se também em casa, porque toda a gente as conhece desde que elas nasceram, porque reencontram amigos e família que não veem durante todo o ano.

O meu marido por mais que se queixe do tempo, de que não há nada para fazer, já se rendeu, rendeu-se ao tempo em família, aos passeios, aos petiscos e rendeu-se principalmente por ver a mulher feliz, por ver a mulher bem, e isso faz com que ele fique bem também.

Gozam o ano todo comigo por eu passar o Verão em S. Martinho e ter que levar roupa de Inverno, por não ir à praia por causa do mau tempo. E eu já nem digo nada. Porque eu não vou para s.martinho atrás do calor e da praia, isso graças a Deus temos em muitos sítios na nossa costa, vou para lá por causa de coisas muito mais importantes, vou para lá por valores e sentimentos muito mais nobres. Até me podiam garantir que ia estar sempre a chover, que eu iria para lá na mesma.

O que torna as minhas férias especiais em primeiro lugar é o tempo que tenho para quem gosto, que não tenho ao longo do resto do ano, depois é o tempo para as memórias, o tempo para as recordações, o tempo para me sentir reconfortada, e aquela terra dá-me isso, a sua gente dá-me isso. Viram-me crescer, sabem quem eu sou genuinamente, sabem quem é a minha família, conheciam os meus pais. E agora conhecem as minhas filhas e o meu marido e receberam-nos de braços abertos.

Sinto que os meus pais estão ali comigo, pois também eles tinham esta paixão. E sei que os deixa muito contentes eu ter “herdado” este sentimento por S. Martinho.

Adoro encontrar pessoas que também sentem isto, porque é uma forma de reforçar aquilo que eu sinto, uma forma de mostrar a quem não percebe que eu não sou maluca, que não é uma paixão só minha, inexplicável e sem nexo.

Quando oiço, como ouvi um primo meu que também padece desta “doença”, a falar como eu falo, a dizer que está com o sorriso “estúpido” na cara só porque está em S. Martinho, eu percebo tão bem o que ele quer dizer, quando ele diz que se sente novamente uma criança feliz e contente, eu percebo tão bem o que ele está a dizer...

Não sou fundamentalista ao ponto de dizer que não gosto de mais lado nenhum e a seguir fui em semana romântica com o Filipe até Marbella, onde já tínhamos estado o ano passado mas este ano ele reservou um hotel diferente, digno de Reis e Rainhas, clássico, romântico, lindo. E aí sim apanhámos Verão à séria, que este ano não apareceu como deve ser no nosso pais.

40 Graus de dia e de noite, chinelos no pé 24h por dia, almoçar e jantar na praia. Bom, muito bom.

E agora vou falar em aniversários! A Mónica fez 9 anos e a Joana 3 anos!!Mais uma vez festas cá em casa com a família!!

O meu Avô Zé fez 80 anos! E fez um grande almoço para toda a família e amigos na quinta dos meus tios em Santarém. Foi maravilhoso ver a felicidade e alegria do meu Avô, estava como ele mais gosta de estar, junto da família, sem horas, sem tempo contado, sem pressas.

Eu e o Filipe Fizemos um ano de casados!!!!E como as nossas 3 princesas também “casaram” connosco trocámos presentes uns com os outros, passamos o dia juntos e depois fomos jantar fora os dois sozinhos.

E Setembro é significado de regresso ao trabalho e regresso às aulas. Já regressei ao activo com excelentes trabalhos e bons projectos para o futuro.

Já tive na loucura da compra do material escolar e das fardas. E este ano vai ter uma particularidade, é o primeiro ano da Joana no colégio. Vou ficar sem bebes em casa...acho que vou sofrer mais eu do que ela, acho que vou ser mais eu a puxá-la para fora do colégio para vir comigo, do que ela a puxar-me para ficar com ela. É a lei da vida, e o tempo passa e elas vão crescendo.

Por falar nisso amanhã faço 35 anos.


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